5 Razões para o Brasil ter uma das Energias mais Caras do Mundo

Conheça alguns dos custos da geração de energia nas usinas hidrelétricas e quais as consequências de depender dessa única fonte.

Geladeira, microondas e fogão são itens completamente diferentes mas que possuem algumas coisas em comum. Todos são muito úteis, sobretudo na preparação e conservação de alimentos e, por isso, fazem parte da rotina da grande maioria dos brasileiros.

A parte ruim da história é que cada vez fica mais salgado utilizá-los. Afinal, consumidores de todo o Brasil puderam notar alterações significativas na conta de luz nos últimos tempos. No nordeste, por exemplo, de 2014 a 2017, a alta acumulada bateu 44%. Ou seja, quem pagava R$100 passou a pagar quase R$150.

Além de afetar o trabalhador que precisa, muitas vezes, fazer malabarismo com o salário para pagar os impostos em dia, a tarifa superfaturada afeta a indústria, responsável por gerar esses empregos, o que diminui a competitividade do mercado e interfere, negativamente, na economia.

1. O custo de uma usina hidrelétrica

Mas afinal, por que a energia elétrica no Brasil é tão cara? Bom, um dos motivos é o preço que se paga para ter as usinas hidrelétricas.

As hidrelétricas são construções robustas, com alta capacidade de armazenamento e resistentes, devido a força que precisam conter. Ainda, a própria geologia do local em que a barragem será construída precisa possuir características específicas para que não ofereça riscos aos moradores de regiões próximas.

Para se ter ideia do prejuízo, uma matéria publicada no site da Época, cujo título é “Grandes hidrelétricas não são economicamente viáveis, diz estudo”, traz alguns dados importantes sobre o assunto.

A revista científica Energy Policy fez uma análise completa de 245 grandes barragens construídas em 65 países entre os anos de 1934 e 2007, publicando, ao final, esse estudo. Dentre os dados do resultado estão algumas importantes conclusões:

  • 90% Das usinas hidrelétricas ultrapassam o orçamento inicial previsto para a sua construção. De acordo com o estudo, elas chegam a custar 96% mais. No Brasil, 101% mais;
  • Essas usinas também não são nada pontuais. A média de atraso das obras é de cerca de dois anos;

Ou seja, o estudo conclui que se o custo real fosse levado em conta antes da obra começar a ser construída, as usinas hidrelétricas seriam consideradas inviáveis economicamente.

2. Impostos praticados no Brasil

“Ok, construir uma Usina Hidrelétrica é caro, mas a água é um recurso natural, por que a geração de energia a partir dela custa caro?” você pode estar se perguntando. Essa é a dúvida de centenas de milhares de brasileiros. É aí que entra a próxima razão da lista.

Quanto você paga de energia elétrica na sua casa? R$100? R$70? Não importa. Fato é que metade desse valor é imposto. Segundo um estudo da PwC feito pelo Instituto Acende Brasil os encargos de ICMS, geração e transmissão de energia representam 47,7% do valor a ser pago.

3. Perda de energia elétrica na transmissão

Outro fator responsável por encarecer o fornecimento de energia se dá pela quantidade de perdas durante a transmissão. O que isso quer dizer? Antes de mais nada é preciso explicar que cerca de 84% da energia no país é advém de usinas hidrelétricas.

Dado o tamanho de uma Usina, elas costumam estar em locais afastados, não tão próximos de onde a energia será utilizada. É de Itaipu, por exemplo, a segunda maior usina hidrelétrica do mundo, que sai 15% de toda a energia consumida no Brasil. Além de 86% do consumo paraguaio.

Ou seja, a transmissão e distribuição são tão importantes quanto a geração em si, e é aí que está o problema. De acordo com o relatório “O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 – Oportunidades e Desafios” cerca de “um 20% de toda a energia produzida no país é “perdida” na etapa de transmissão.

E quem é que paga por isso?

Ainda de acordo com o relatório, esse desperdício é responsável por onerar em cerca de 5% a tarifa paga pelo consumidor.

4. Falta de investimentos na manutenção das redes elétricas

Não é incomum ver notícias por aí sobre interrupções e falhas no fornecimento de energia. Um bom exemplo disso é o último grande apagão que atingiu a região do nordeste. O fato aconteceu em março de 2018 e deixou 83 milhões de brasileiros sem energia.

Muitas vezes, esse tipo de coisa acontece por falta de manutenção e investimentos adequados em todas as etapas: geração, transmissão e distribuição de energia. Além do inconveniente, esse tipo de incidente provoca perdas onerosas e desnecessárias, que podem ser evitadas.

Se por um lado os investimentos em energia são tratados como secundários devido ao período de crise econômica, a eficiência energética é fundamental para o avanço da economia. Ou seja, um verdadeiro paradoxo.

5. Dependência de um único tipo de energia

O fato de cerca de 84% da energia no país ser originária de usinas hidrelétricas faz com que todos esses problemas, como a falta de manutenção, excesso de impostos e custos da energia em si sejam sentidos por toda a população. Sem exceção.

Por isso os consumidores, sobretudo as indústrias, devem rever essa dependência para não acabaram reféns de um serviço oneroso e, muitas vezes, precário. Alugar gerador de energia é uma das formas de fazer isso.

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