Projeto de Instalação Elétrica Residencial: Guia Completo NBR 5410

Um projeto elétrico residencial bem elaborado é muito mais do que um desenho técnico: ele é a base para uma instalação segura, eficiente e preparada para o futuro.

Publicidade

Segundo levantamentos do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, as falhas em instalações elétricas estão entre as principais causas de incêndios residenciais no Brasil.

A maior parte dessas falhas não acontece por acidente — acontece por falta de planejamento. Circuitos subdimensionados, cabos com bitola errada, quadros improvisados e projetos que nunca existiram no papel são os vilões silenciosos que colocam famílias em risco todos os dias.

Publicidade

O antídoto é o projeto elétrico residencial. Quando feito corretamente, ele transforma uma obra imprevisível em uma instalação segura, eficiente e profissional — que valoriza o serviço do eletricista e a tranquilidade do cliente.

Neste guia completo, você vai aprender:

  • O que é um projeto elétrico residencial e quando ele é obrigatório por lei.
  • O que a NBR 5410 exige em cada etapa do projeto.
  • Como elaborar um projeto do zero em 7 etapas práticas.
  • O checklist completo por cômodo — com pontos mínimos e recomendados.
  • Como dimensionar cabos, disjuntores e o quadro de distribuição.
  • Os erros mais comuns — e como evitá-los.

O que é um projeto elétrico residencial?

para projeto de instalação elétrica residencial é necessário ter a planta baixa do local

Um projeto elétrico residencial é o planejamento técnico completo de toda a instalação elétrica antes de qualquer execução. Ele reúne todas as informações necessárias para que a instalação seja feita com segurança, eficiência e conformidade com a norma.

Um projeto completo inclui:

  • Planta baixa com pontos de utilização: posição de todas as tomadas, interruptores e luminárias marcados por cômodo.
  • Diagrama unifilar: representação de todos os circuitos, com disjuntores, bitolas e comprimentos.
  • Quadro de distribuição (QDC): com disjuntores, DR, DPS e barramentos de neutro e terra.
  • Memorial descritivo: documento escrito explicando as decisões técnicas do projeto.
  • Lista de materiais: quantitativo completo de cabos, eletrodutos, caixas, disjuntores e dispositivos de proteção.
  • Critérios de dimensionamento: cálculos de corrente, queda de tensão e capacidade de condução dos cabos.

Sem esse planejamento, a obra vira improviso: faltam tomadas, os circuitos ficam sobrecarregados e a instalação se torna um risco permanente para os moradores.

Quando o projeto elétrico é obrigatório?

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre eletricistas iniciantes. A resposta depende da situação e da concessionária de energia da sua região, mas em geral o projeto é exigido nos seguintes casos:

  • Construções novas com carga instalada acima do limite definido pela concessionária local.
  • Reformas que alterem a carga instalada ou o sistema de distribuição.
  • Aumento de ramal — por exemplo, de monofásico para bifásico ou trifásico.
  • Instalação de sistema de geração distribuída (energia solar fotovoltaica).
  • Regularização de instalações existentes perante a concessionária.
Para quem é este guia? Este conteúdo foi escrito para eletricistas iniciantes, estudantes de eletrotécnica e técnicos que querem dominar o planejamento de instalações residenciais com base na norma. Se você já tem experiência prática mas quer estruturar melhor seu processo de projeto, este guia também é para você.

O que é um projeto elétrico residencial?

Um projeto elétrico residencial é o planejamento técnico completo de toda a instalação elétrica antes de qualquer execução. Ele reúne todas as informações necessárias para que a instalação seja feita com segurança, eficiência e conformidade com a norma.

Um projeto completo inclui:

  • Planta baixa com pontos de utilização: posição de todas as tomadas, interruptores e luminárias marcados por cômodo.
  • Diagrama unifilar: representação de todos os circuitos, com disjuntores, bitolas e comprimentos.
  • Quadro de distribuição (QDC): com disjuntores, DR, DPS e barramentos de neutro e terra.
  • Memorial descritivo: documento escrito explicando as decisões técnicas do projeto.
  • Lista de materiais: quantitativo completo de cabos, eletrodutos, caixas, disjuntores e dispositivos de proteção.
  • Critérios de dimensionamento: cálculos de corrente, queda de tensão e capacidade de condução dos cabos.

Sem esse planejamento, a obra vira improviso: faltam tomadas, os circuitos ficam sobrecarregados e a instalação se torna um risco permanente para os moradores.

Quando o projeto elétrico é obrigatório?

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre eletricistas iniciantes. A resposta depende da situação e da concessionária de energia da sua região, mas em geral o projeto é exigido nos seguintes casos:

  • Construções novas com carga instalada acima do limite definido pela concessionária local.
  • Reformas que alterem a carga instalada ou o sistema de distribuição.
  • Aumento de ramal — por exemplo, de monofásico para bifásico ou trifásico.
  • Instalação de sistema de geração distribuída (energia solar fotovoltaica).
  • Regularização de instalações existentes perante a concessionária.
⚠️ Atenção — ART e RRT Quando o projeto for exigido para apresentação à concessionária ou para fins legais, é necessária a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de engenheiro eletricista ou o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) de técnico habilitado. Consulte sempre a concessionária da sua região para verificar os documentos exigidos.

O que a NBR 5410 exige em um projeto residencial?

A NBR 5410 é a norma brasileira que regulamenta as instalações elétricas de baixa tensão. Para o eletricista iniciante, conhecer seus requisitos é o primeiro passo para sair do improviso e trabalhar com segurança e profissionalismo.

Princípios práticos fundamentais

  • Separação de circuitos: iluminação (TUL), tomadas de uso geral (TUG) e tomadas de uso específico (TUE) devem ser circuitos independentes — nunca misturados.
  • Bitolas mínimas: 1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para TUG. TUEs variam conforme a carga do equipamento.
  • Proteções obrigatórias: disjuntor termomagnético para cada circuito, DR de 30 mA em áreas molhadas e DPS no quadro de distribuição.
  • Ocupação de eletrodutos: máximo 40% da seção interna do conduíte.
  • Queda de tensão: máximo 4% nos circuitos terminais e 7% para toda a instalação, desde o ponto de entrega da concessionária.

👉 Leia também: NBR 5410 na prática: regras básicas para projeto residencial

Carga instalada versus demanda de projeto

Um conceito fundamental que todo eletricista precisa dominar: a carga instalada total raramente é utilizada ao mesmo tempo. A NBR 5410 (seção 9) leva isso em conta por meio do fator de demanda.

  • Carga instalada: soma de todas as potências de todos os pontos previstos no projeto.
  • Fator de demanda: percentual da carga que será usado simultaneamente. Em residências, varia de 0,4 a 0,7 conforme o porte.
  • Demanda de projeto = carga instalada × fator de demanda.

Exemplo: uma casa com 10 kW de carga instalada e fator de demanda 0,5 tem demanda de projeto de 5 kW. É com base nesse valor que o ramal de entrada e o disjuntor geral são dimensionados.

Como calcular a queda de tensão

A queda de tensão determina se o cabo escolhido é adequado não só pela corrente, mas também pela distância do circuito — um cálculo essencial que todo projetista precisa saber.

ΔV (%) = (ρ × L × I × 100) / (S × V)
  • ρ = resistividade do cobre = 0,0172 Ω·mm²/m
  • L = comprimento do circuito em metros (ida + volta)
  • I = corrente do circuito em ampères
  • S = seção transversal do cabo em mm²
  • V = tensão do circuito (127 V ou 220 V)

Exemplo: circuito de iluminação com 20 m de cabo 1,5 mm², corrente de 6 A, tensão de 127 V:

ΔV = (0,0172 × 20 × 6 × 100) / (1,5 × 127) = 1,08% ✔ dentro do limite de 4%

Se o resultado fosse acima de 4%, seria necessário aumentar a bitola do cabo ou dividir o circuito em dois.

Como elaborar um projeto elétrico residencial: 7 etapas

Agora vamos ao que interessa: como fazer o projeto na prática. Siga estas etapas em ordem — cada uma é a base da próxima.

  1. Obter e analisar a planta baixa

    Tudo começa com a planta baixa da residência. Solicite ao arquiteto ou engenheiro responsável. Para imóveis existentes sem projeto, faça o levantamento de cotas no local com trena.

    • Escala mais usada: 1:50 (1 cm no papel = 50 cm na realidade) ou 1:100 para plantas maiores.
    • Ferramenta: escalímetro para plantas impressas; QElétrico ou AutoCAD para projetos digitais.
    • O que identificar: área por cômodo, espessura de paredes, posição de janelas, portas e pontos de passagem entre ambientes.
  2. Levantamento de cargas

    Esta é a etapa mais importante — e a mais ignorada por iniciantes. Sem o levantamento de cargas, qualquer dimensionamento que vem depois será um chute.

    Liste todos os pontos de utilização previstos, atribua uma potência a cada um e calcule a carga total por circuito. A NBR 5410 adota 100 VA por ponto de TUG como referência de dimensionamento.

    CircuitoCômodoTipoQtd × PotênciaTotal
    Iluminação 1Sala / CorredorTUL3 × 60 W180 W
    Iluminação 2Quartos 1 e 2TUL4 × 60 W240 W
    TUG — Sala/QuartosSala, 2 quartosTUG10 × 100 VA1.000 VA
    TUG — CozinhaCozinhaTUG6 × 100 VA600 VA
    TUE — ChuveiroBanheiroTUE1 × 7.500 W7.500 W
    TUE — GeladeiraCozinhaTUE1 × 350 W350 W
    TUE — Ar-condicionadoQuarto 1TUE1 × 1.450 W1.450 W

    Modelo simplificado para uma casa de 2 quartos. O projeto completo deve incluir todos os ambientes conforme a NBR 5410 seção 9.

  3. Marcação dos pontos na planta baixa

    Com as cargas levantadas, marque cada ponto na planta usando a simbologia elétrica brasileira (NBR 5444).

    • Respeite as quantidades mínimas de TUG por perímetro definidas pela NBR 5410.
    • Identifique cada ponto com o número do circuito — use cores diferentes para TUL, TUG e TUE.
    • Trace trilhas de eletroduto com caminhos lógicos: aproveite rodapés, forros e paredes, minimizando curvas.
    • Preveja conduítes extras para dados (rede e TV a cabo) — separados dos conduítes elétricos.

    👉 Veja também: Quantas Tomadas a NBR 5410 Exige por Cômodo?

  4. Dimensionamento de cabos e disjuntores

    Com a corrente de cada circuito calculada (I = P ÷ V), selecione o cabo e o disjuntor adequados. Regra básica: o disjuntor protege o cabo — sua corrente nominal (In) deve ser maior que a corrente do circuito e menor ou igual à capacidade de condução do cabo.

    Bitola do caboDisjuntor típicoTensãoAplicação típica
    1,5 mm²10–16 A127/220 VIluminação (TUL) — até 1.500 W
    2,5 mm²16–20 A127/220 VTomadas de uso geral (TUG)
    4 mm²25–32 A220 VAr-condicionado até 18.000 BTU, forno pequeno
    6 mm²32–40 A220 VChuveiro 5.500 W, forno elétrico grande
    10 mm²40–50 A220 VChuveiro 7.500 W, sauna, ponto de recarga EV
    16 mm²50–63 A220/380 VSub-quadro, bomba de piscina, ramal secundário
    25 mm²63–80 A220/380 VRamal de entrada — residências de médio porte

    Tabela de referência rápida. Verifique a capacidade de condução conforme as tabelas da NBR 5410, considerando método de instalação e temperatura ambiente.

    👉 Como Calcular a Bitola Correta dos Cabos Elétricos | 👉 Guia Completo sobre Disjuntores

  5. Elaborar o diagrama unifilar

    O diagrama unifilar é o documento mais importante do projeto. Ele representa cada circuito com uma única linha e mostra, para cada um: o disjuntor (com In e curva), a bitola do cabo, o comprimento estimado e o destino.

    Como ler: percorra de cima para baixo — disjuntor geral → DR e DPS → cada circuito com seus dados. Exemplo de leitura: “C1 — Ilum. Sala — 10 A Curva C / 1,5 mm² / 15 m” significa circuito 1, iluminação da sala, disjuntor 10 A curva C, cabo 1,5 mm², comprimento estimado de 15 metros.

    • Ferramentas gratuitas: QElétrico, LibreOffice Draw com biblioteca de simbologia elétrica.
    • Para iniciantes: projeto desenhado à mão com régua e escalímetro já é válido e eficiente.

    👉 Guia Completo de Diagramas Elétricos: Unifilar e Multifilar

  6. Planejar o quadro de distribuição (QDC)

    O QDC é o coração da instalação. Um quadro mal planejado é o erro mais difícil e caro de corrigir depois da obra pronta.

    • Posicionamento: de fácil acesso, próximo à entrada da residência, entre 1,0 e 1,8 m do piso.
    • Disjuntor geral: dimensionado pela demanda total do projeto — não pela soma de todos os disjuntores de circuito.
    • Reserva de espaço: preveja pelo menos 20% de posições extras para ampliações futuras (ar-condicionado novo, ponto de carga para veículo elétrico, energia solar).
    • Identificação obrigatória: cada disjuntor deve ter etiqueta permanente identificando o circuito — exigência da NBR 5410.

    👉 Quadro de Distribuição Residencial: O Coração da Instalação Elétrica

  7. Memorial descritivo e lista de materiais

    Memorial descritivo: documento escrito que explica as decisões do projeto — quais normas foram seguidas, por que cada material foi escolhido e as limitações do escopo. Quando há ART ou RRT, o memorial é obrigatório e protege o profissional em caso de autuação ou sinistro.

    Lista de materiais: quantitativo completo derivado da planta e do diagrama. Para cabos e eletrodutos, meça as distâncias na planta com escalímetro e adicione 15% de sobra. Para tomadas, interruptores e caixas, conte diretamente na planta marcada.

Quer dominar o dimensionamento de instalações elétricas com metodologia profissional — do projeto à execução? Veja a análise completa do curso que recomendo para quem quer sair do básico e se tornar referência na área. 👉 Ver análise completa do Curso Eletricista Instalador →

Checklist completo por cômodo

Uma dúvida constante: quantas tomadas devo prever em cada ambiente? A NBR 5410 define quantidades mínimas pelo perímetro — mas o bom eletricista sabe que planejar só o mínimo é garantir reclamação futura. Veja o checklist prático por cômodo, com pontos mínimos e recomendados.

Sala de estar e jantar

  • TUG mínimo: 1 ponto a cada 5 m de perímetro (mínimo 2 pontos).
  • Recomendado: pontos para TV, home theater, luminárias de decoração.
  • Ar-condicionado: circuito TUE exclusivo (4 mm², 25–32 A) — prever mesmo sem instalação imediata.
  • Conduítes extras para dados (internet via cabo) e TV a cabo — separados dos elétricos.
  • Iluminação: mínimo 1 ponto de teto central + previsão para luminárias de parede.

Quartos

  • TUG mínimo: 2 pontos por quarto. Recomendado: 4 pontos (cabeceira, escrivaninha, parede oposta).
  • Ar-condicionado: circuito TUE exclusivo (2,5 a 4 mm²) — prever no projeto mesmo sem equipamento imediato.
  • Iluminação setorizada: ponto de teto central + previsão para luminária na cabeceira.
  • Ponto de rede (internet por cabo): mais estável que Wi-Fi para home office.

Cozinha e área de serviço

  • TUG mínimo: 1 ponto a cada 3,5 m de perímetro nas bancadas de trabalho.
  • TUE exclusiva para geladeira: 2,5 mm², disjuntor 20 A.
  • TUE exclusiva para micro-ondas: 2,5 mm², disjuntor 20 A.
  • TUE para forno elétrico ou cooktop: 6 mm², disjuntor 40 A (consultar fabricante).
  • TUE para lava-louças (quando prevista): 4 mm², disjuntor 25 A.
  • Área de serviço: TUE para máquina de lavar (2,5 mm², 20 A).
  • DR 30 mA obrigatório para todos os circuitos de cozinha e área de serviço.

Banheiro

  • Tomada junto ao lavatório: 1 ponto exclusivo, 20 A.
  • Chuveiro elétrico: circuito TUE exclusivo, disjuntor bipolar — bitola conforme a potência.
  • Iluminação: ponto de teto com IP adequado + iluminação no espelho.
  • DR 30 mA: obrigatório por NBR 5410 para todos os circuitos do banheiro.
🚨 DR no banheiro não é opcional O dispositivo diferencial-residual (DR) de 30 mA em banheiros não é recomendação — é exigência da NBR 5410 desde 2004. Qualquer instalação sem DR em banheiro está em desconformidade com a norma e representa risco grave de choque elétrico para os moradores.

Garagem e área externa

  • Tomadas externas: grau de proteção mínimo IP 44 — resistentes à umidade e poeira.
  • Iluminação de segurança: cobertura completa da área da garagem e acessos externos.
  • Ponto de recarga para veículo elétrico (EVSE): circuito dedicado de 40 A (10 mm²) — prever agora custa pouco; na reforma posterior, o custo multiplica.
  • DR obrigatório para todos os circuitos externos.

Quadro de distribuição e dispositivos de proteção

O QDC reúne os dispositivos que protegem toda a instalação. Entender o papel de cada um é fundamental para especificá-los corretamente no projeto.

DR — Dispositivo Diferencial-Residual

O DR detecta desequilíbrios de corrente entre fase e neutro — sinal de que parte da corrente está vazando para o terra ou para uma pessoa. Quando a fuga ultrapassa 30 mA (sensibilidade residencial padrão), o DR desliga o circuito em milissegundos, antes que o choque seja letal.

Onde é obrigatório por NBR 5410: banheiros, cozinhas, lavanderias, garagens, áreas externas e piscinas. Recomendado em toda a instalação.

DPS — Dispositivo de Proteção contra Surtos

Enquanto o DR protege contra choques, o DPS protege contra surtos de tensão causados por raios e variações da rede. O tipo 2 é o mais usado em residências e é instalado no QDC. Não substitui o aterramento — os dois trabalham em conjunto.

Aterramento

O sistema de aterramento é a fundação de segurança de toda a instalação. Sem ele, o DR não funciona corretamente e o DPS não tem para onde derivar os surtos. O cabo terra deve seguir desde o eletrodo de aterramento (haste de cobre no solo) até o barramento de terra no QDC, e daí para todas as tomadas da instalação.

👉 Aterramento Elétrico Residencial: Tipos, Como Fazer e Boas Práticas

Erros mais comuns em projetos elétricos residenciais

Conhecer os erros mais frequentes é tão importante quanto saber as regras. Os mais perigosos são:

  1. Não fazer projeto detalhado — improvisar na obra gera retrabalho caro e instalações inseguras.
  2. Dimensionar poucos circuitos — sobrecarga, disjuntores desarmando e risco de incêndio.
  3. Instalar tomadas insuficientes — benjamins e extensões improvisadas são as principais causas de sobrecarga residencial.
  4. Escolher cabos com bitola errada — cabo subdimensionado superaquece e pode causar incêndio.
  5. Lotar conduítes acima de 40% — prejudica a dissipação de calor e viola a NBR 5410.
  6. Deixar de instalar DR e DPS — economia falsa que pode custar a vida de um morador.
  7. Quadro de distribuição sem identificação — dificulta manutenção e viola a norma.

👉 Cada erro explicado com causas, consequências e soluções: 7 Erros Mais Comuns em Projetos Elétricos Residenciais

Materiais essenciais para a instalação elétrica residencial

MaterialEspecificação mínimaObservação
Cabos elétricosFlexível de cobre — 1,5 / 2,5 / 4 / 6 / 10 mm²NBR NM 247-3 — não usar rígido embutido sem eletroduto
EletrodutosPVC corrugado leve (embutido) ou rígido (aparente)Bitola mínima ¾” — ocupação máx. 40%
DisjuntoresTermomagnéticos NBR IEC 60898-1Curva C para uso residencial geral
Dispositivo DRDDR ou RCCB 30 mA — bipolar para circuitos 220 VObrigatório em áreas molhadas — NBR 5410
DPSTipo 2 — tensão nominal conforme sistema localInstalar no QDC junto ao disjuntor geral
Caixas de passagem4×2″, 4×4″, octogonal — PVC ou ferro galvanizadoSempre com tampa — caixa sem tampa é infração grave
Tomadas e interruptoresPadrão NBR 14136 (padrão brasileiro)Não usar padrão antigo redondo em obras novas
EPIsLuvas isolantes Classe 00 (até 500 V), óculos, botinaExigência da NR-10 para trabalhos com eletricidade

Perguntas frequentes sobre projeto elétrico residencial

Preciso de projeto elétrico para minha casa? É obrigatório?
Depende. Para novas construções com carga acima do limite da concessionária, reformas que alteram a carga instalada e ligação de energia solar, o projeto é exigido e pode precisar de ART ou RRT. Para obras menores, não é obrigatório — mas é fortemente recomendado. Consulte as normas específicas da concessionária da sua região.
Qual escala usar no projeto elétrico residencial?
A escala mais comum é 1:50 (1 cm no papel = 50 cm na realidade). Para residências maiores, usa-se 1:100. Verifique sempre a escala indicada no carimbo da planta fornecida pelo arquiteto — medir na escala errada invalida todos os cálculos de material.
Como calcular a quantidade de material pelo projeto?
Use um escalímetro para medir as distâncias entre pontos na planta, na escala correta. Some todos os trechos de eletroduto e cabo de cada circuito e adicione 15% de sobra para cabos. Para tomadas, interruptores e luminárias, conte diretamente na planta marcada.
Quantos circuitos uma casa de 2 quartos deve ter?
No mínimo 8 a 10 circuitos: 2 de iluminação, 2 a 3 de TUG (sala, quartos, cozinha), 1 TUE chuveiro, 1 TUE geladeira, 1 a 2 TUE ar-condicionado. Preveja ao menos 2 espaços livres no QDC para ampliações futuras.
Posso fazer o projeto elétrico sozinho?
Sim, o eletricista pode elaborar o projeto. Para apresentação à concessionária ou obras que exijam regularização, pode ser necessária ART de engenheiro eletricista ou RRT de técnico habilitado. Verifique sempre as exigências da concessionária local antes de iniciar.
Qual software usar para fazer projeto elétrico residencial?
Para iniciantes: QElétrico (versão gratuita) e LibreOffice Draw com biblioteca de simbologia são boas opções sem custo. Para projetos profissionais, o AutoCAD com biblioteca elétrica é o padrão do mercado. Para quem está aprendendo, projeto à mão com régua e escalímetro já é válido e eficiente.
O que é o memorial descritivo do projeto elétrico?
É um documento escrito que acompanha o projeto e explica as decisões técnicas: quais normas foram seguidas, por que cada material foi escolhido e as limitações do escopo. É obrigatório quando há ART ou RRT e funciona como proteção legal para o profissional responsável.

Conclusão — o projeto como diferencial do eletricista profissional

Planejar uma instalação elétrica residencial conforme a NBR 5410 não é burocracia — é o que separa o eletricista que entrega segurança e qualidade daquele que entrega retrabalho e risco.

Com as 7 etapas deste guia, você tem o caminho completo: da planta baixa ao memorial descritivo, passando pelo levantamento de cargas, dimensionamento, diagrama unifilar e quadro de distribuição. Cada etapa bem feita é um argumento profissional que você pode mostrar ao cliente — e cobrar pelo valor que entrega.

Aprofunde-se em cada parte da instalação com nossos guias complementares:

Entender o projeto é o primeiro passo. Executar com segurança, qualidade e metodologia profissional é o que constrói uma carreira sólida na elétrica. Se você quer dominar instalações elétricas do básico ao avançado — com preço atual, módulos detalhados e garantia —, veja a análise completa do curso que recomendo. 👉 Ver análise completa do Curso Eletricista Instalador →
🛡️ 210 horas · Certificado incluso · Suporte no WhatsApp · Garantia de 7 dias

59 comentários em “Projeto de Instalação Elétrica Residencial: Guia Completo NBR 5410”

  1. Sou engenheiro eletricista e de segurança do trabalho. Desejo receber informações sobre temas relacionados.

    Obrigado!

    Reply
  2. uma simples pergunta:
    calcule o numero de espiras do secundário de um transformador onde:
    Np=1,500
    Es=15V
    Ep=100V
    SABER O NUMERO DE ESPIRAS

    Reply
    • Np/Ns = Ep/Es 1500/Ns = 100/15 Ns = 1500 . 15 / 100 Logo, Ns = 225 espiras

      Relação de espiras, tensão e corrente: Np/Ns = Ep/Es = Is/Ip.

      Obrigado pela visita, Luciano. Seja sempre bem vindo!

      Reply
  3. Luiz, ótimo trabalho. Creio que vc poderá acrescentar algumas dicas para quem se deparar com projetos de um pouco mais de complexidade. Já teríamos necessidade de “prever” uma quantidade maior de tomadas, além do mínimo sugerido por norma. Estimular o projetista a ter uma visão tridimensional do projeto e fazer trajetos de eletrodutos mais curtos sem necessidade de sobrecarregar as caixas de passagem no teto. Alertar que num eletroduto com muitos circuitos, provocará um campo magnético que diminuirá a capacidade de transporte de um cabo de cobre.E a raciocinar que norma pode ser repensada. Hoje com o advento de lâmpadas fluorescentes compactas ou mesmo a LED, um circuito com dezenas de lâmpadas a LED, dificilmente se aproximará a capacidade de transporte de um cabo 1,5 mm². A assim vc seguir a norma que estará superdimensionando o cabo.

    Reply
    • Olá Ettore, agradecemos pela visita. O objetivo do artigo é ajudar profissionais e pessoas que buscam se aperfeiçoar nessa área. Hoje com o advento das lâmpadas fluorescentes é preciso sim estudar bem o projeto.

      Reply
  4. Prezado Luiz

    Sou professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS.
    Estou concluindo um livro tipo caderno didático para os alunos de desenho técnico. Poderias autorizar o uso da imagem do item 4 para poder ilustrar uma das aplicações do desenho na engenharia?
    abraço

    Antonio Valente 51-97606063

    Reply
    • Essa imagem não é de minha autoria, por isso não posso dar o meu aval sobre ela. A imagem e o artigo é de um redator que escrevia para o web site Saber Elétrica, penso que ele deve ter pego a imagem na internet, mais precisamento no site Procobre.

      Agradeço pela visita caso queria mencionar algum artigo em seu livro didático basta citar a fonte (Saber Elétrica). No mais estou a disposição.

      Reply
    • Ola Marcelo agradecemos pela visita. Sobre enviar em PDF, para fins didático você pode copiar o artigo, contudo não é permitido a republicação para outros fins. Caso necessite falar conosco peço que entre em contato pelo suporte.

      Abraços Luiz Jacques idealizador do projeto.

      Reply
  5. Muito bom suas explicações, bem resumida e objetiva; estou iniciando essa carreira de elétrica; tenho a seguinte dúvida:
    Estou executando um trabalho onde irei passar todos os eletrodo e compartimentos elétrico..

    farei nessa casa um circuito dividido em 6 partes distintas..

    passei um eletrodo de 3/4 para os dois circuito de chuveiro…. sendo nomeado 1 e 2, já aqui surge uma dúvida; logo que irei usar o mesmo eletrodo para os dois circuito; quais os compartimentos elétrico devo repetir; o que diferencia o circuito 1 do circuito 2? ( sendo os compartimentos; fase-neutro-terra… tensão elétrica de 127..

    Seguindo esse raciocínio; o mesmo ocorre com o circuito 3 e 4, lâmpadas internas e tomadas, resumindo, no caso das tomadas, sendo ( fase – neutro – terra ), se repete novamente os três compartimentos ou pode se repetir apenas o fase ou fase e neutro?

    Assim posso pegar o ( terra ou proteção ) lá no quadro de distribuição e com um só compartimento posso distribuir para todo o ponto elétrica da casa?

    Agradeço muito amigo…

    Atenciosamente.

    Reply
  6. Gostaria de saber como dimensionar a quantidade de material elétrico (fios, tubos corrugados, tomadas, etc) baseado no projeto elétrico. Isso facilitaria muito a orçamentação destes materiais.

    Reply
    • Bem vindo ao Saber Elétrica, Fabio! Se você tem o projeto elétrico, basta verificar em qual escala ele foi elaborado. No projeto é informado a escala. Com auxílio de um “escalímetro”, basta medir a distância entre os pontos elétricos, anotar os valores medidos e somá-los nofinal. Deixe uma porcentagem de sobra para fios, cabos e eletrodutos, pois nunca serão instalados de forma retilínea devido à construção da alvenaria e também por que precisará de sobra de fios e cabos nas extremidades para ligar quadro elétrico, tomadas, interruptores e luminárias. Para medir fios e cabos bem como para contar interruptores, tomadas e luminárias precisará conhecer simbologia elétrica, que poderá encontrar em diversos arigos neste blog e em apostilas e livros de Instalações Elétricas. Adolpho Eletricista.

      Reply
  7. Ola assim como o colega Jonathan Castro, eu tambem gostaria de poder transformar esse conteudo em uma apostila de mão para estudar em local onde não consigo usar internet, porem não consigo selecionar para impressão.
    se poder mandar o conteudo por email… eu agradeço
    aureocs@gmail.com

    Reply
  8. Prezados boa tarde,

    Em que situações é necessário a apresentação de projeto elétrico para solicitação de alteração de carga na concessionária de energia?

    Nesse caso seria uma mudança em residência/apto de monofásico para bifásico.

    Obrigado, Paulo.

    Reply
    • Bem vindo ao Saber Elétrica, Paulo! São inúmeras as situções nas quais precimos apresentsr projeto para a concessionaria, não sendo possível enumerá-las em uma breve resposta. Existe uma publicação LIG-BT-2014 que trata somente disso. Essa publicação está à sua disposição no site da concessionaria de sua região. O ideal seria consultar um técnico capacitado para lhe orientar. Adolpho Eletricista.

      Reply
  9. Bom dia, excelente artigo, material bastante útil, didática de fácil entendimento.
    Por favor, sou estudante de elétrica, e gostaria de ter esse conteúdo em forma de apostila.

    Reply
  10. Boa tarde!
    Me chamo Cláudia e estou finalizando o Curso de Engenharia elétrica.
    Achei o material excelente e gostaria de ter acesso a mais conteúdos, estou fazendo curso de AutoCad e quero me especializar em desenho e projetos elétricos.
    Tem mais material que poderia estar fornecendo?

    Grata.
    Cláudia

    Reply

Deixe um comentário