Projeto de Instalação Elétrica Residencial: Guia Completo NBR 5410

Um projeto elétrico residencial organiza a instalação antes da execução. É nele que são definidos os pontos de iluminação e tomadas, as cargas previstas, a divisão dos circuitos, os condutores, as proteções, os eletrodutos, o quadro de distribuição e as representações necessárias para orientar o serviço.

Mais do que desenhar símbolos sobre uma planta baixa, projetar significa tomar decisões técnicas em sequência e verificar se elas são compatíveis entre si.

Neste guia, você vai entender como funciona esse processo, como interpretar uma planta elétrica residencial e quais verificações precisam ser feitas antes de considerar um circuito dimensionado.

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Importante: os exemplos deste artigo têm finalidade didática. Uma planta ou tabela genérica não substitui o projeto específico do imóvel. Cargas, distâncias, condições de instalação, fornecimento da distribuidora e outros fatores podem mudar a solução.

Projeto elétrico residencial com planta baixa, quadro de proteção, cabos e eletrodutos
Projeto elétrico residencial envolve levantamento das cargas, divisão dos circuitos, dimensionamento, proteção, documentação e verificação.

O que é um projeto elétrico residencial?

O projeto elétrico é o planejamento técnico da instalação elétrica da residência.

Dependendo do escopo, sua documentação pode reunir:

  • planta baixa com a localização dos pontos elétricos;
  • identificação e distribuição dos circuitos;
  • quadro de cargas;
  • diagrama unifilar;
  • especificação de condutores e dispositivos de proteção;
  • informações sobre eletrodutos e trajetos;
  • critérios e memórias de dimensionamento;
  • quadro de distribuição;
  • memorial descritivo;
  • lista ou quantitativo de materiais.

Esses documentos cumprem funções diferentes.

A planta elétrica mostra principalmente onde os pontos estão e como a instalação se distribui pelo imóvel. O diagrama unifilar representa eletricamente os circuitos e seus principais componentes. O quadro de cargas organiza as características dos circuitos. Já as memórias de cálculo registram critérios usados no dimensionamento.

Por isso, uma planta elétrica não deve ser confundida com o projeto completo.

NBR 5410 e projeto residencial

A principal referência técnica brasileira para instalações elétricas de baixa tensão é a ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida 2008, que continua listada no catálogo da ABNT.

A ABNT NBR 5410 trata de instalações elétricas de baixa tensão. Ao aplicar seus requisitos a um projeto, deve-se consultar a edição vigente da norma e verificar diretamente os critérios pertinentes a cada parte da instalação.

Isso não significa que exista uma tabela simples capaz de definir todo o projeto.

Por exemplo, escolher um cabo não depende apenas da potência do equipamento. O dimensionamento precisa considerar critérios como corrente do circuito, método de instalação, temperatura, agrupamento, capacidade de condução, queda de tensão e coordenação com a proteção.

Também podem existir requisitos específicos da distribuidora responsável pelo fornecimento de energia, principalmente na entrada da instalação. Esses requisitos não devem ser confundidos com a NBR 5410.

Quem pode se responsabilizar pelo projeto?

A responsabilidade técnica depende da atividade, da habilitação e das atribuições profissionais efetivamente concedidas ao responsável.

Engenheiros do Sistema Confea/Crea e técnicos industriais do Sistema CFT/CRT possuem regulamentações próprias. Portanto, não é correto adotar uma regra genérica segundo a qual qualquer profissional de determinada formação automaticamente possui atribuição para qualquer projeto elétrico.

Quando houver necessidade de responsabilidade técnica formal, devem ser verificados o registro profissional, as atribuições aplicáveis ao caso e o documento de responsabilidade correspondente ao conselho competente.

Como elaborar um projeto elétrico residencial: a sequência de trabalho

Para entender o projeto com mais facilidade, pense nele como uma cadeia de decisões:

planta e necessidades → pontos e cargas → circuitos → demanda → condutores → proteção → queda de tensão → eletrodutos → quadro → diagramas e documentação → verificação.

Uma decisão influencia a seguinte. Por isso, começar escolhendo cabos ou disjuntores antes de conhecer as cargas e as condições da instalação inverte a lógica do projeto.

1. Comece pela planta baixa e pelas necessidades da residência

Finalizando o projeto de instalações elétrica residencial
Como fazer um projeto elétrico residencial passo a passo?

A planta arquitetônica fornece a base espacial para o projeto elétrico.

Nela é possível analisar:

  • dimensões e uso de cada ambiente;
  • portas e janelas;
  • posição prevista de móveis;
  • bancadas e áreas de trabalho;
  • equipamentos fixos;
  • pontos de iluminação;
  • interruptores;
  • tomadas;
  • equipamentos de maior potência;
  • possíveis trajetos das linhas elétricas;
  • localização prevista do quadro de distribuição.

O objetivo não é simplesmente distribuir tomadas de maneira uniforme.

Uma cozinha, por exemplo, possui necessidades muito diferentes das de um dormitório. Bancadas, geladeira, forno, micro-ondas e outros equipamentos influenciam o planejamento.

A planta elétrica deve refletir como o imóvel será utilizado.

Para aprofundar os critérios relacionados aos pontos de tomada, consulte o conteúdo sobre quantidade de tomadas por cômodo do Saber Elétrica.

2. Faça o levantamento das cargas

Depois de localizar os pontos, registre as cargas previstas.

É útil separar pelo menos:

InformaçãoO que registrar
Ambientesala, cozinha, dormitório, banheiro etc.
Pontoiluminação, tomada ou equipamento previsto
Potênciavalor adotado ou dado do equipamento
Tensãotensão prevista para o circuito
Circuitoidentificação quando definida
Observaçãocondição especial ou equipamento específico

Para equipamentos conhecidos, dados de placa e documentação do fabricante são referências importantes.

Não confunda carga instalada com demanda.

A carga instalada representa a soma das cargas consideradas segundo o critério aplicável. A demanda procura representar a parcela dessas cargas considerada simultaneamente para determinada finalidade de projeto.

Não existe um único fator residencial que possa ser aplicado indiscriminadamente a qualquer imóvel.

Quando o projeto exigir análise de demanda, o critério utilizado precisa ser identificado e sua fonte verificada. A Calculadora de Demanda Elétrica do Saber Elétrica permite organizar grupos de carga e aplicar fatores informados pelo próprio usuário, mantendo a origem do critério registrada.

3. Divida a instalação em circuitos

Com as cargas identificadas, é possível organizar os circuitos.

A divisão adequada melhora:

  • segurança;
  • proteção;
  • manutenção;
  • identificação de falhas;
  • operação;
  • possibilidade de ampliação.

A divisão da instalação em circuitos deve seguir os critérios aplicáveis da NBR 5410 e as características das cargas atendidas. Em vez de adotar uma regra resumida para todos os casos, consulte na norma vigente os requisitos correspondentes ao circuito que está sendo projetado.

Equipamentos com características ou potências relevantes podem exigir tratamento específico. A decisão deve decorrer do projeto, não de uma lista genérica de aparelhos.

Exemplo didático de organização

Imagine uma residência com sala, dois dormitórios, cozinha, banheiro, lavanderia e garagem.

Uma organização preliminar poderia identificar grupos como:

  • iluminação de determinados ambientes;
  • tomadas de sala e dormitórios;
  • tomadas da cozinha;
  • tomadas da lavanderia;
  • chuveiro;
  • forno ou outro equipamento previsto;
  • equipamento de climatização, quando existente;
  • cargas externas.

Isso não é um projeto pronto para copiar.

A quantidade final de circuitos depende das cargas, da instalação e dos critérios técnicos aplicáveis.

O valor do exemplo é mostrar a lógica: primeiro identificamos os usos; depois agrupamos ou separamos os circuitos de maneira justificável.

4. Dimensione os condutores — sem escolher a bitola apenas pela potência

Um erro comum é procurar uma tabela do tipo:

“chuveiro = 6 mm²”
“ar-condicionado = 4 mm²”
“tomada = 2,5 mm²”.

Esse raciocínio é insuficiente para dimensionar um circuito.

A seção do condutor precisa ser verificada considerando os critérios aplicáveis, entre eles:

  • corrente de projeto;
  • seção mínima pertinente;
  • material e isolação;
  • método de instalação;
  • temperatura;
  • quantidade de circuitos agrupados;
  • capacidade de condução de corrente;
  • queda de tensão;
  • coordenação com a proteção;
  • características específicas da instalação.

Assim, dois equipamentos de mesma potência podem exigir soluções diferentes quando as condições de instalação ou a distância mudam.

A Calculadora de Bitola de Cabos do Saber Elétrica pode auxiliar no estudo preliminar de circuitos dentro do escopo indicado pela própria ferramenta. Ela considera corrente, instalação, temperatura, agrupamento, distância e queda de tensão, mas não substitui o dimensionamento completo.

O disjuntor não é escolhido somente pela bitola

O disjuntor e o condutor precisam ser analisados em conjunto.

Na proteção contra sobrecarga, a corrente de projeto do circuito, a corrente nominal do dispositivo de proteção e a capacidade de condução dos condutores precisam ser coordenadas. A verificação deve seguir os critérios da norma aplicável e as condições reais de instalação.

Mas isso não encerra o dimensionamento do disjuntor. Também podem ser relevantes capacidade de interrupção, característica de atuação, número de polos, curto-circuito presumido, seletividade e requisitos dos equipamentos.

Por isso, uma tabela “bitola × disjuntor típico” não deve ser usada como autorização de projeto.

Depois de determinar os dados do circuito, a Calculadora de Disjuntor do Saber Elétrica permite verificar a compatibilidade entre corrente de projeto, corrente nominal do dispositivo e capacidade de condução do condutor, além de registrar separadamente questões que ainda precisam ser confirmadas.

5. Verifique a queda de tensão

A corrente pode estar dentro da capacidade do condutor e, mesmo assim, a seção escolhida precisar ser revista por causa da distância.

É por isso que a queda de tensão faz parte do dimensionamento.

Ela depende de fatores como:

  • corrente;
  • comprimento do trecho;
  • seção e características do condutor;
  • sistema elétrico;
  • tensão;
  • características da carga e do circuito consideradas pelo método de cálculo.

Não é recomendável aplicar uma fórmula simplificada sem deixar claras suas hipóteses.

A Calculadora de Queda de Tensão do Saber Elétrica permite estimar a queda em volts e percentual para um trecho informado. A própria ferramenta deixa explícito que o resultado não aprova o circuito e que a queda acumulada e outros critérios precisam ser avaliados separadamente.

Circuitos longos merecem atenção especial porque a seção determinada pela capacidade de corrente pode não ser suficiente quando a queda de tensão é verificada.

6. Planeje os eletrodutos e trajetos

O eletroduto não deve ser dimensionado simplesmente escolhendo um diâmetro “padrão” para a residência.

É necessário considerar os cabos que percorrem cada trecho e as características reais do caminho.

Na avaliação geométrica da ocupação, importa o diâmetro externo completo dos cabos e o diâmetro interno útil do eletroduto — não apenas a seção elétrica do condutor e o tamanho nominal impresso no conduíte.

Também é incorreto dizer que todo eletroduto possui limite universal de 40%.

Documentação técnica pública que referencia o item 6.2.11.1.6 da ABNT NBR 5410:2004 registra, para a taxa de ocupação de eletrodutos, limites de 53% no caso de um condutor, 31% para dois e 40% para três ou mais condutores.

Além da ocupação geométrica, o projeto precisa considerar aspectos como:

  • possibilidade de passagem e substituição dos condutores;
  • curvas e comprimento do percurso;
  • caixas de passagem;
  • agrupamento;
  • condições térmicas;
  • compatibilidade dos circuitos que compartilham o trajeto.

A Calculadora de Ocupação de Eletrodutos do Saber Elétrica ajuda a comparar a área externa dos cabos com a área interna útil do eletroduto. O resultado, entretanto, não verifica sozinho todos os critérios necessários para aprovar a linha elétrica.

7. Planeje o quadro de distribuição

O quadro de distribuição organiza os circuitos e seus dispositivos de proteção e seccionamento.

O projeto deve mostrar de forma compreensível:

  • identificação dos circuitos;
  • dispositivos associados;
  • condutores correspondentes;
  • barramentos pertinentes;
  • organização prevista;
  • características necessárias dos dispositivos.

A especificação não deve partir de regras como “sempre use curva C”, “todo quadro residencial usa o mesmo DPS” ou “o disjuntor geral é a soma dos disjuntores dos circuitos”.

Cada dispositivo possui uma função e critérios próprios.

Para aprofundar esse ponto, consulte o guia sobre quadro de distribuição residencial do Saber Elétrica.

DR, DPS e aterramento: funções diferentes

Esses três elementos são frequentemente colocados no mesmo grupo, mas cumprem funções distintas.

DR

O dispositivo diferencial-residual é utilizado como medida de proteção relacionada a correntes diferenciais-residuais.

A NBR 5410 prevê proteção adicional por dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade em situações especificadas pela norma, incluindo determinados circuitos e locais. Por isso, resumir a exigência a “DR somente em áreas molhadas” é impreciso.

O DR de alta sensibilidade atua como proteção adicional e não substitui as demais medidas de proteção exigidas para a instalação.

O dispositivo precisa ser selecionado e integrado corretamente à instalação.

DPS

O dispositivo de proteção contra surtos tem outra finalidade: limitar sobretensões transitórias dentro das condições para as quais foi especificado.

A necessidade, localização, características e coordenação da proteção contra surtos devem ser avaliadas conforme os critérios aplicáveis ao projeto.

Não basta escrever “DPS tipo 2 no quadro” como receita universal.

Aterramento e condutor de proteção

O aterramento, a equipotencialização e os condutores de proteção fazem parte da estratégia de proteção da instalação.

Também não é correto resumir todo sistema de aterramento residencial a “uma haste de cobre ligada ao quadro”. A configuração depende do esquema de aterramento e das condições da instalação.

Para aprofundar o assunto, consulte o conteúdo sobre aterramento elétrico residencial do Saber Elétrica.

8. Elabore a planta elétrica residencial

Depois que os pontos e circuitos estão definidos, a planta passa a representar as decisões do projeto.

Uma planta elétrica residencial pode indicar, conforme o nível de detalhamento:

  • pontos de iluminação;
  • interruptores;
  • tomadas;
  • equipamentos específicos;
  • identificação dos circuitos;
  • comandos;
  • trajetos ou informações de encaminhamento;
  • quadro de distribuição;
  • símbolos e legendas.

Como interpretar uma planta elétrica: exemplo didático

Imagine novamente a residência com sala, dois quartos, cozinha, banheiro, lavanderia e garagem.

Na planta arquitetônica, o processo poderia ser visualizado assim:

1. Marcar os pontos de utilização
Posicionar iluminação, comandos, tomadas e equipamentos previstos de acordo com a utilização dos ambientes.

2. Identificar as cargas
Registrar o que será considerado em cada ponto e quais equipamentos já são conhecidos.

3. Associar os pontos aos circuitos
A planta passa a mostrar quais pontos pertencem a cada circuito.

4. Relacionar a planta ao quadro de cargas
Cada circuito recebe identificação consistente nos documentos.

5. Dimensionar e verificar
Condutores, proteção, queda de tensão e encaminhamento são avaliados.

6. Atualizar a documentação
O que foi dimensionado deve aparecer de maneira coerente no diagrama, no quadro e nas demais peças do projeto.

Esse processo é mais útil do que copiar uma “planta elétrica residencial pronta em PDF”, porque mostra por que cada decisão aparece no desenho.

Uma planta pronta pode servir para estudo de simbologia e organização, mas não deve ser aplicada diretamente a outro imóvel.

9. Faça o diagrama unifilar

O diagrama unifilar oferece uma visão elétrica dos circuitos sem depender da posição física de cada ponto na planta.

Ele pode registrar informações como:

  • origem da alimentação;
  • quadro;
  • circuitos;
  • dispositivos de proteção;
  • condutores;
  • cargas ou destinos;
  • outras características necessárias ao entendimento do projeto.

A identificação precisa ser consistente.

Se a planta chama determinado circuito de C3, por exemplo, o quadro de cargas e o diagrama devem permitir reconhecer o mesmo C3 sem ambiguidade.

Para entender melhor as formas de representação, consulte o guia do Saber Elétrica sobre diagramas elétricos unifilar e multifilar.

10. Revise o projeto antes da execução

O projeto não termina quando a planta parece pronta.

Uma revisão final deve verificar pelo menos:

EtapaPergunta de controle
Plantaos pontos correspondem ao uso real dos ambientes?
Cargastodas as cargas relevantes foram consideradas?
Circuitosa divisão está tecnicamente justificada?
Demandao critério utilizado é aplicável e possui fonte?
Condutoresforam considerados instalação, temperatura, agrupamento e demais critérios?
Proteçãoos dispositivos são compatíveis com circuitos e condutores?
Queda de tensãoos trechos relevantes foram verificados?
Eletrodutosocupação e condições do trajeto foram avaliadas?
Quadrocircuitos e dispositivos estão claramente identificados?
Documentosplanta, diagrama, quadro e memorial são coerentes entre si?
Fornecimentoexigências aplicáveis da distribuidora foram verificadas?
Responsabilidadehabilitação e documentação profissional aplicáveis foram verificadas?

Esse processo de verificação é mais confiável do que tentar resolver o projeto com uma única tabela.

Mapa rápido: qual ferramenta usar em cada etapa?

O Saber Elétrica possui ferramentas específicas que podem auxiliar em partes do processo:

NecessidadeRecurso
Organizar cargas e fatores de demandaCalculadora de Demanda Elétrica
Estimar seção preliminar considerando condições de instalaçãoCalculadora de Bitola de Cabos
Avaliar queda de tensão de um trechoCalculadora de Queda de Tensão
Verificar compatibilidade entre corrente, cabo e disjuntorCalculadora de Disjuntor
Avaliar ocupação geométrica de eletrodutosCalculadora de Ocupação de Eletrodutos

Essas ferramentas não devem ser usadas como uma sequência automática que “aprova” um projeto. Cada uma possui escopo e limitações próprios.

Erros comuns em projetos elétricos residenciais

Alguns erros aparecem repetidamente quando o projeto é tratado como simples escolha de materiais.

Escolher o cabo apenas pela potência

A potência ajuda a determinar a corrente, mas não informa sozinha a seção adequada.

Copiar uma tabela de cabo e disjuntor

A combinação precisa ser verificada nas condições reais do circuito.

Usar um fator de demanda sem saber sua origem

O fator precisa ser compatível com a finalidade e com o critério aplicável.

Copiar uma planta elétrica pronta

Uma planta de exemplo pode ensinar representação, mas não conhece as cargas, distâncias e condições de outro imóvel.

Ignorar a queda de tensão

Principalmente em circuitos longos, a distância pode mudar a seção necessária.

Dimensionar eletroduto apenas pelo tamanho nominal

A ocupação depende das dimensões efetivas dos cabos e do espaço interno útil.

Tratar DR, DPS e aterramento como equivalentes

São elementos diferentes e precisam ser considerados dentro da estratégia de proteção.

Deixar planta, quadro e diagrama inconsistentes

O projeto precisa funcionar como um conjunto de documentos, não como desenhos independentes.

Para aprofundar essa revisão, veja também o conteúdo do Saber Elétrica sobre erros mais comuns em projetos elétricos.

Projeto elétrico residencial pronto ou PDF: como usar um exemplo com segurança?

Quem está aprendendo naturalmente procura uma planta elétrica residencial em PDF ou um projeto completo para usar como referência.

Esse tipo de material pode ser útil para estudar:

  • simbologia;
  • organização gráfica;
  • identificação de circuitos;
  • relação entre planta e diagrama;
  • estrutura de um quadro de cargas;
  • apresentação de documentação.

O limite é importante: exemplo não é projeto reutilizável.

Mesmo duas casas com plantas semelhantes podem ter equipamentos, distâncias, métodos de instalação, tensões e condições de fornecimento diferentes.

Use projetos prontos para aprender a lógica da representação — não para substituir levantamento e dimensionamento.

Do projeto à instalação

Um bom projeto reduz improvisos porque registra decisões antes que paredes sejam fechadas, eletrodutos sejam ocupados e circuitos sejam energizados.

A sequência principal é:

entender o imóvel → localizar pontos → levantar cargas → organizar circuitos → dimensionar → verificar → documentar → revisar.

Se você está estudando, tente acompanhar cada circuito da planta até o quadro e responder:

  1. Qual necessidade esse circuito atende?
  2. Qual é sua carga ou corrente de projeto?
  3. Como o condutor foi dimensionado?
  4. Como a proteção foi escolhida?
  5. A queda de tensão foi verificada?
  6. Por onde os condutores passam?
  7. Como esse circuito aparece na planta, no quadro e no diagrama?

Quando essas respostas estão documentadas e coerentes, você deixa de enxergar o projeto como um desenho e passa a entendê-lo como um processo técnico de decisão e verificação.

Para continuar o estudo, os próximos conteúdos mais naturais são quadro de distribuição residencial, diagramas elétricos, bitola de cabos, aterramento residencial, quantidade de tomadas por cômodo e NBR 5410 aplicada à instalação residencial.

59 comentários em “Projeto de Instalação Elétrica Residencial: Guia Completo NBR 5410”

    • Np/Ns = Ep/Es 1500/Ns = 100/15 Ns = 1500 . 15 / 100 Logo, Ns = 225 espiras

      Relação de espiras, tensão e corrente: Np/Ns = Ep/Es = Is/Ip.

      Obrigado pela visita, Luciano. Seja sempre bem vindo!

      Responder
  1. Luiz, ótimo trabalho. Creio que vc poderá acrescentar algumas dicas para quem se deparar com projetos de um pouco mais de complexidade. Já teríamos necessidade de “prever” uma quantidade maior de tomadas, além do mínimo sugerido por norma. Estimular o projetista a ter uma visão tridimensional do projeto e fazer trajetos de eletrodutos mais curtos sem necessidade de sobrecarregar as caixas de passagem no teto. Alertar que num eletroduto com muitos circuitos, provocará um campo magnético que diminuirá a capacidade de transporte de um cabo de cobre.E a raciocinar que norma pode ser repensada. Hoje com o advento de lâmpadas fluorescentes compactas ou mesmo a LED, um circuito com dezenas de lâmpadas a LED, dificilmente se aproximará a capacidade de transporte de um cabo 1,5 mm². A assim vc seguir a norma que estará superdimensionando o cabo.

    Responder
    • Olá Ettore, agradecemos pela visita. O objetivo do artigo é ajudar profissionais e pessoas que buscam se aperfeiçoar nessa área. Hoje com o advento das lâmpadas fluorescentes é preciso sim estudar bem o projeto.

      Responder
  2. Prezado Luiz

    Sou professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS.
    Estou concluindo um livro tipo caderno didático para os alunos de desenho técnico. Poderias autorizar o uso da imagem do item 4 para poder ilustrar uma das aplicações do desenho na engenharia?
    abraço

    Antonio Valente 51-97606063

    Responder
    • Essa imagem não é de minha autoria, por isso não posso dar o meu aval sobre ela. A imagem e o artigo é de um redator que escrevia para o web site Saber Elétrica, penso que ele deve ter pego a imagem na internet, mais precisamento no site Procobre.

      Agradeço pela visita caso queria mencionar algum artigo em seu livro didático basta citar a fonte (Saber Elétrica). No mais estou a disposição.

      Responder
    • Ola Marcelo agradecemos pela visita. Sobre enviar em PDF, para fins didático você pode copiar o artigo, contudo não é permitido a republicação para outros fins. Caso necessite falar conosco peço que entre em contato pelo suporte.

      Abraços Luiz Jacques idealizador do projeto.

      Responder
  3. Muito bom suas explicações, bem resumida e objetiva; estou iniciando essa carreira de elétrica; tenho a seguinte dúvida:
    Estou executando um trabalho onde irei passar todos os eletrodo e compartimentos elétrico..

    farei nessa casa um circuito dividido em 6 partes distintas..

    passei um eletrodo de 3/4 para os dois circuito de chuveiro…. sendo nomeado 1 e 2, já aqui surge uma dúvida; logo que irei usar o mesmo eletrodo para os dois circuito; quais os compartimentos elétrico devo repetir; o que diferencia o circuito 1 do circuito 2? ( sendo os compartimentos; fase-neutro-terra… tensão elétrica de 127..

    Seguindo esse raciocínio; o mesmo ocorre com o circuito 3 e 4, lâmpadas internas e tomadas, resumindo, no caso das tomadas, sendo ( fase – neutro – terra ), se repete novamente os três compartimentos ou pode se repetir apenas o fase ou fase e neutro?

    Assim posso pegar o ( terra ou proteção ) lá no quadro de distribuição e com um só compartimento posso distribuir para todo o ponto elétrica da casa?

    Agradeço muito amigo…

    Atenciosamente.

    Responder
  4. Gostaria de saber como dimensionar a quantidade de material elétrico (fios, tubos corrugados, tomadas, etc) baseado no projeto elétrico. Isso facilitaria muito a orçamentação destes materiais.

    Responder
    • Bem vindo ao Saber Elétrica, Fabio! Se você tem o projeto elétrico, basta verificar em qual escala ele foi elaborado. No projeto é informado a escala. Com auxílio de um “escalímetro”, basta medir a distância entre os pontos elétricos, anotar os valores medidos e somá-los nofinal. Deixe uma porcentagem de sobra para fios, cabos e eletrodutos, pois nunca serão instalados de forma retilínea devido à construção da alvenaria e também por que precisará de sobra de fios e cabos nas extremidades para ligar quadro elétrico, tomadas, interruptores e luminárias. Para medir fios e cabos bem como para contar interruptores, tomadas e luminárias precisará conhecer simbologia elétrica, que poderá encontrar em diversos arigos neste blog e em apostilas e livros de Instalações Elétricas. Adolpho Eletricista.

      Responder
  5. Ola assim como o colega Jonathan Castro, eu tambem gostaria de poder transformar esse conteudo em uma apostila de mão para estudar em local onde não consigo usar internet, porem não consigo selecionar para impressão.
    se poder mandar o conteudo por email… eu agradeço
    [email protected]

    Responder
  6. Prezados boa tarde,

    Em que situações é necessário a apresentação de projeto elétrico para solicitação de alteração de carga na concessionária de energia?

    Nesse caso seria uma mudança em residência/apto de monofásico para bifásico.

    Obrigado, Paulo.

    Responder
    • Bem vindo ao Saber Elétrica, Paulo! São inúmeras as situções nas quais precimos apresentsr projeto para a concessionaria, não sendo possível enumerá-las em uma breve resposta. Existe uma publicação LIG-BT-2014 que trata somente disso. Essa publicação está à sua disposição no site da concessionaria de sua região. O ideal seria consultar um técnico capacitado para lhe orientar. Adolpho Eletricista.

      Responder
  7. Bom dia, excelente artigo, material bastante útil, didática de fácil entendimento.
    Por favor, sou estudante de elétrica, e gostaria de ter esse conteúdo em forma de apostila.

    Responder
  8. Boa tarde!
    Me chamo Cláudia e estou finalizando o Curso de Engenharia elétrica.
    Achei o material excelente e gostaria de ter acesso a mais conteúdos, estou fazendo curso de AutoCad e quero me especializar em desenho e projetos elétricos.
    Tem mais material que poderia estar fornecendo?

    Grata.
    Cláudia

    Responder

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